Sempre disse que, às vezes, é melhor pagar um pouco mais e ser bem atendido que pagar o preço mais baixo do mercado e ser mal atendido. E é por esse motivo que muitas vezes prefiro fazer minhas comprinhas nos mercados da rede Angeloni, que nos da rede Big/WallMart, por exemplo. O caso é que o atendimento do Angeloni é geralmente bom, mas anda caindo na qualidade.
Semana passada, estive no Angeloni para comprar alguns produtos para fazer uma sobremesa do dia dos pais. Passei no guichê do Clube Angeloni para dar uma olhada nos produtos que poderiam ser trocados pelos meus pontos (tenho mais de 1.600 pontos acumulados). No catálogo, estava um pacote de bombons Sonho de Valsa de 1Kg, que eu já ia comprar de qualquer maneira, porque precisava deles para fazer um bombom de travessa. Igualmente, estava no catálogo Patitas, que eu sempre compro para acompanhar as refeições. Peguei os produtos que queria e fui ao guichê de troca.
Depois de esperar quase meia hora, uma atendente chamada Bianca veio me atender. Não sei onde ela estava, nem quero saber. Ela se desculpou pela demora e pediu meu cartão do Clube Angeloni e meu documento de identidade. Ao lhe entregar os documentos, a moça pediu licença, pulou as barras do caixa rápido e foi atender duas clientes no guichê do Clube Angeloni, no local onde são feitos os credenciamentos dos cartões de crédito e de pontos. Passei a observá-la, sem ter muito o que fazer, já que nem sair dali eu podia, já que ela estava com meus documentos. Ao lado de Bianca, estava uma outra funcionária do Angeloni, observando seu trabalho.
Ao me ver olhando para a situação, Bianca fez um sinal com a mão, pedindo que eu esperasse (como se eu tivesse escolha). Depois de terminar de atender as clientes, Bianca voltou, pedindo desculpas pela demora. Perguntei-lhe se ao Angeloni (sim, porque ela representa a empresa) havia clientes mais importantes e outros menos importantes. Ela me respondeu, com olhos arregalados, que não, todos eram iguais. Então questionei-lhe por que eu deveria ficar esperando enquanto ela atendia outras duas clientes. Bianca me respondeu que as outras clientes haviam chegado antes. O problema é que, como eu passei quase meia hora ali, sabia que não havia ninguém lá no guichê esperando, porque o guichê do Clube Angeloni ficava de frente para o guichê de troca de pontos. Eu respondi-lhe que ela não podia afirmar que elas haviam chegado antes, porque não sabia há quanto tempo eu estava ali. A atendente, para me fazer calar, olhou-me com olhos que pareciam querer meu fuzilamento no paredão da misericórdia, e perguntou-me "A senhora vai levar os produtos ou não vai?".
Pois bem, calei-me e disse que sim, que levaria os produtos. Aí começa outro ponto. Ela pegou meus bombons e, ao passar o leitor ótíco, disse-me que o produto não estava cadastrado no sistema. Peguei o catálogo e mostrei-lhe o produto. Ela me apontou a foto e disse que não era aquele produto, porque a embalagem da foto do catálogo era antiga e a que eu tinha nas mãos era nova. Disse a ela que não queria levar mais nada nos pontos, até porque as caixas de Patitas já começavam a descongelar. Voltei à prateleira dos bombons e, para minha surpresa, não havia nenhum pacote de bombons com a embalagem antiga.
Mas o pior disso tudo, só descobri em casa. Relendo o catálogo, inconformada com a humilhação a que fui submetida (sim, porque me senti humilhada pela atendente Bianca), li em letras miúdas que as imagens do catálogo são MERAMENTE ILUSTRATIVAS. Ou seja, a justificativa de Bianca de que o produto não correspondia por causa da imagem da embalagem ser diferente era improcedente. Além disso, ela poderia ter me indicado a trocar os pontos por crédito: dois vale-compras de R$10,00 pagariam os bombons e sobraria pontos e pagaria os R$19,90 do pacote.
Mas agora me faço um questionamento, que aliás não me sai da cabeça desde o dia do ocorrido: vale a pena mesmo pagar um pouco a mais para comprar no Angeloni para ser humilhada na hora de retirar os pontos acumulados? Eu não estava pedindo nenhum favor. Foi o próprio Angeloni que me disse que eu teria direito a trocar meus pontos (que representam a minha fidelidade) por brindes. Se não dá para manter o sistema de pontos, exclua-o então, mas não deixe clientes serem humilhados por funcionários mal-humorados, de mal com a vida e que se acham cheios de razão.
A professora Amanda Gurgel retratou a situação da sua escola no Rio Grande do Norte, que, pelo que eu entendi, também está em greve. O curioso da situação toda é que o retrato que ela faz poderia ser feito em igual proporção e formato na escola onde eu trabalho, em Joinville, Santa Catarina. Sim, aqui no Sul do Brasil, onde os hipócritas dizem que a educação é superior à do nordeste do país.
Tudo o que ela disse reforça o dia-a-dia das nossas salas de aula:
- salário inferior ao piso nacional da educação, que foi estabelecido em lei, mas não é cumprido;
- salas de aulas com número de carteiras inferiores ao número de alunos;
- professores proibidos de se alimentar da merenda escolar (pode parecer mendicância, mas há professores que se locomovem de ônibus de uma escola à outra e não tem tempo para almoçar em casa);
- professores faltantes nas escolas, porque professores ficam doentes, esgotados de tanto trabalhar em turno dobrado ou mesmo desmotivados e faltam mesmo, principalmente no segundo semestre;
- professor que compra um carro para poder se locomover de uma escola a outra com mais agilidade, mas precisa deixar o carro em casa porque não consegue pagar o financiamento do carro + o combustível...
Sinceramente, minha vontade é de chorar.
Há poucos dias, terminou o Carnaval no Brasil (em boa parte dele, pelo menos). Campanhas do Ministério da Saúde acerca da conscientização sobre o uso do preservativo são comuns nessa época do ano, visto que no Carnaval aumenta o número de pessoas mantendo relações sexuais fora de um relacionamento duradouro. Slogans como “Bote a camisinha em sua história de Carnaval” e “Seja qual for a fantasia, use camisinha” incentivam as pessoas a fazerem uso do preservativo. Mas será que a camisinha é realmente eficaz?
Imagine a seguinte situação: a melhor pizzaria da sua cidade divulga que 1 em cada 10 de seus clientes terão uma doença de intestino e poderão até mesmo morrer. Você comeria nesta pizzaria? O prazer da melhor pizza da cidade valeria o risco? Pois bem, segundo dados oficiais esta é a “margem de erro” da camisinha, considerando seu uso típico. Há quem possa dizer: “Mas a chance de se infectar é pequena, é de apenas 10%”. Mas vamos levar em conta outros dados: considerando que nem sempre as pessoas fazem sexo com alguém que esteja infectado, nem sempre as mulheres estão em seu período fértil (que corresponde de 6 a 10 dias por mês), esse valor de 10% subiria se em todas as relações houvesse risco. E se esses 10% equivalem exatamente ao número de vezes em que uma pessoa se relacionou com alguém que possuía algum tipo de doença sexualmente transmissível ou a mulheres que estavam em seu período fértil? Na verdade, fazer sexo com camisinha equivale a brincar de roleta russa, cuja a chance de tomar um tiro é de 11,6%.
Não estou aqui dizendo que a camisinha não funciona nunca. Não é essa a minha intenção. Mas a camisinha apresenta riscos que muitas vezes não são mencionados pela mídia. Muito provavelmente isso acontece porque se a mídia divulgar que a camisinha não produz o sexo seguro, as pessoas vão deixar de usar de uma vez por todas. E esse não é o objetivo. Qualquer proteção é melhor que nenhuma proteção. Contudo, está sendo negado às pessoas o direito de saber exatamente a gravidade da coisa. É necessário alertar o público de que o uso do preservativo acarreta possíveis danos à saúde, para que a pessoa decida qual a melhor atitude a tomar.
Há uma grande polêmica em torno do uso da camisinha e sua proibição pelas igrejas, principalmente a católica, na figura do papa. O papa é comumente tachado de antiquado, retrógrado, anti-democrático. Contudo, Luc Montagnier, o cientista que descobriu o vírus do hiv, dizia: “são necessárias campanhas contra práticas sexuais contrárias à natureza biológica do homem. E, sobretudo, há que educar a juventude contra o risco da promiscuidade e o vagabundeio sexual” (Montagnier. “Aids: Natureza do Vírus”, em Atas da IV Reunião Internacional da aids, 1989, p. 52). Note-se que não é o padre que fala no confessionário, nem o papa na Praça São Pedro, mas o cientista-descobridor do hiv. Se olharmos o que diz o site do CDC (Center of Disease Control - Centro de controle de doenças) acerca do preservativo, veremos a afirmação de que a camisinha é altamente eficaz no controle de doenças sexualmente transmissíveis em relações heterossexuais, desde que usada de maneira adequada (no caso de homossexuais, o coito anal produz fricção e diminiu a eficácia do preservativo). Contudo, o mesmo site diz que, para prevenir doenças e vírus (com o hiv), a primeira coisa seria “abster-se da atividade sexual ou estar em uma relação duradoura monogâmica de ambas as partes com um parceiro não infectado”. Ou seja, o papa não está de todo errado em seu posicionamento de que a melhor prevenção é a abstinência.
Para exemplificar como pode acontecer a falha na camisinha, vamos a uma analogia. Imagine que você recebeu um balão de aniversário e deixou-o num canto da sala por uma ou duas semanas. O que acontece com o balão? Ele murcha. E por que isso acontece? Porque o material do balão é poroso e permite que partículas de ar escapem por seus poros. Muito bem, o balão de aniversário é feito de latex, mesmo material de que é feita a camisinha. Logo, a camisinha é feita de um material poroso. Em 1992, o Dr. Ronald F. Carey, pesquisador da FDA (Food and Drugs Administration - Administração de comida e drogas, espécie de ANVISA americana), introduziu microesferas de poliestireno do diâmetro do hiv em preservativos que tinham superado positivamente o teste da FDA e os submeteu a variações de pressão similares às que se produzem numa relação sexual: um terço deles perdeu entre 0,4 e 1,6 nanolitros. Numa relação sexual de dois minutos, com um preservativo que perde um nanolitro por segundo, passariam 12.000 vírus de hiv. Este vírus é 450 vezes menor que o espermatozóide. O Dr. Ronald F. Carey pôs à prova 89 preservativos em uma máquina simuladora da relação sexual, e encontrou que pelo menos 29 deixaram passar partículas do tamanho do vírus da aids. A falha foi de 33% (Ronald F. Carey, William A. Herman, Stephen M. Retta, Jean E. Rinaldi, Bruce A. Herman e T. Whit; Eficácia dos Preservativos de Látex corno Barreira a Partículas do Tamanho de Athey – A um Vírus da Imunodeficiência Humana sob condições de Uso Simulado – Doenças Sexualmente transmissíveis, julho-agosto, 1992, pp. 230-234).
Se assim é, se o próprio site do CDC americano afirma que o uso do preservativo traz um sexo com menos risco e não sexo seguro, por que os programas do governo brasileiro em nenhum momento mencionam a abstinência como método eficaz de controle de DST’s? Uganda conseguiu baixar sua taxa de infecção por hiv de 20% (em 1991) para 6% (em 2002), baseando-se numa política sanitária de fidelidade e abstinência sexual, ao contrário de outros países africanos que centraram a prevenção no uso da camisinha e cuja taxa de infecção continua a subir (como Botsuana, Zimbábue e África do Sul, que ocupam os primeiros lugares na lista de contágio).
Incentivar o uso do preservativo é aumentar a exposição das pessoas a situações que poderiam apresentar risco de contaminação. Ainda assim, as campanhas vão continuar a incentivar o uso da camisinha, pelo simples motivo de que isso gera dinheiro. Dinheiro este que advém não apenas da venda das camisinhas, mas também da venda dos remédios para controlar as doenças sexualmente transmissíveis. No caso específico da aids, a venda dos remédios é contínua, já que não há cura, apenas tratamento. E para aqueles que vierem me dizer que as pessoas ganham os remédios, os ditos coquetéis anti-aids, eu respondo que tais remédios não são gratuitos. As indústrias farmacêuticas que o produzem não o fazem por caridade. Alguém precisa pagar por eles para que sejam distribuídos pelo governo. Então, no caso da aids, quem paga pela não-prevenção é todo o povo, porque o dinheiro do governo vem dos impostos pagos pela população.
Aconteceu aqui em Joinville (SC), ontem (17), na Rua Isabel Cristina da Fonseca Nascimento, bairro Adhemar Garcia. Crianças e adolescentes brincavam na rua e faziam barulho. Um morador acionou a Polícia Militar. O policial Mário Casprechen veio ao local. Colocou as crianças no muro, como se fosse um paredão, acuou-as, atirou contra elas (mas não acertou). Depois, revoltado com a situação, começou a se queixar de que seu salário não valia o desaforo que ele tinha que aguentar. Em frente a uma câmera, o policial ofereceu a arma a um dos adolescentes e a um dos moradores, disse que eles podiam ficar com ela e com a sua farda, que começou a tirar, na frente de todos.
Analisemos a situação: o policial já havia sido afastado por motivo de estresse anteriormente. Por que voltou à ativa? Acontece muito na profissão de policial, como acontece na profissão de professor, de profissionais serem afastados por motivo de estafa ou estresse, passarem por tratamento, voltarem à junta médica que os avalia como aptos a voltarem a trabalhar - mas muitas vezes não estão aptos ainda.
Tenho uma amiga que disse que os consultórios psiquiátricos estão lotados de pacientes professores e policiais. Há uma série de fatores que contribuem para isso. Um deles é a falta de valorização. Não estou falando de salário (apesar que a valorização salarial também deveria existir). Estou falando do valor que os cidadãos dão a esses profissionais. Todo mundo se acha apto a dar palpite na vida do professor e do policial, acreditando que sabem como tais profissionais deveriam agir. Tanto o professor quanto o policial precisam aturar algumas atitudes de pessoas sem educação, que não os respeita. Pior é que, em matéria de lei, não há muito que se possa fazer para retomar a autoridade que tais profissionais tinham outrora e que já não mais a tem.
Não estou, de forma alguma, querendo defender a atitude do policial. Não importa quanto barulho as crianças estivessem fazendo ou qual atitude tiveram quando o oficial chegou, nada justifica emparedá-las e atirar contra elas. Mas o órgão para o qual o policial trabalha deveria ser responsabilizado, por não ter levado com seriedade o desequilíbrio emocional de seu funcionário. Que a profissão é insalubre, insalutar, isso é notório. Mas muitas vezes a junta médica do estado menospreza e desmerece laudos médicos que afirmam que o profissional deveria se manter afastado por mais um tempo. E o resultado é esse: profissionais agindo sem pensar nas consequências.
Há que se pensar com cuidado no rumo que as coisas estão tomando. Se não, atitudes como a do senhor Casprechen serão cada dia mais comuns, nas ruas, com nossos policiais, e nas escolas, com nossos professores.
O filme dos Smurfs estreia lá fora em 12 de Julho e no Brasil a estreia está marcada para 12 de Agosto. A história sobre os pequeninos seres azuis que vivem na floresta, em uma vila de cogumelos, pretende esquentar as telinhas.
Para quem foi criança nos anos 80, não será difícil se lembrar de que estes pequeninos, liderados por Papai Smurf e com a ajuda da linda (e loira) Smurfette, são perseguidos por Gargamel e seu gato cruel. No cinema, eles chegam a Nova Iorque e prometem muita diversão.
Seguem os thrailers já lançados do filme.
Direção de Raja Gosnell, roteiro de J. David Stem e David N. Weiss.
Muito se pode dizer sobre o dia da mulher - 8 de março. A data passou a ser reconhecida em 1975, quando foi assinado um decreto pela ONU (Organização das Nações Unidas).
A data 8 de março foi escolhida porque, no ano de 1857, mulheres trabalhadoras de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque resolveram fazer uma greve para reivindicar alguns direitos: salários equiparados aos dos homens (elas chegavam a ganhar 1/3 do que eles ganhavam), redução na jornada de trabalho (que chegava a 16 horas diárias) e tratamento digno nas relações de trabalho. A greve não funcionou. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica e um incendiou foi iniciado, o que acabou por matá-las.
Durante muitos anos, o dia 8 de março era um marco, uma data em que mulheres pelo mundo todo se reuniam para discutir sua situação no mundo, seus direitos pelos quais lutar, os problemas enfrentados. Hoje em dia, a data se resume a uma comemoração, como o dia do professor ou o dia da secretária.
O maior problema que vejo não é a mulher lutar por seus direitos. O problema é a mulher querer APENAS os direitos. Todos os dias me deparo com mulheres que querem igualdade com os homens. Mas esta igualdade não está presente na hora de dividir as contas, por exemplo. Uma mulher não liga que o homem pague a conta do restaurante para ela, mas se incomoda se tiver que pagar para ele. Peraí, que igualdade é esta? Apenas no que convém?
Certa feita, tive uma conversa com uma amiga, que me contava que se separou do marido, mas ainda o amava. Perguntei-lhe o motivo da separação. Ela me disse que ele não conseguia se fixar em emprego nenhum, e ficava em casa enquanto ela precisava sustentar a família. Perguntei-lhe se quando ele ficava em casa, ele lavava, passava, limpava, cuidava das crianças. A resposta para todas as minhas perguntas era sim. Perguntei-lhe se ele, quando em casa, agia como uma "dona de casa". Ela parou por um momento, me olhou como se eu estivesse lhe dizendo uma coisa óbvia que ela jamais havia percebido. Eu lhe disse que, se antigamente os homens trabalhavam fora para sustentar a família enquanto as mulheres cuidavam da casa e dos filhos, por que ela não poderia inverter os papéis, já que vivemos numa sociedade em que as mulheres buscam igualdade com os homens. Ela me disse que eu tinha razão. Mas não voltou para ele. Às vezes penso que o preconceito ainda é grande nesses nossos dias.
Outro problema que vejo na emancipação da mulher é a obrigatoriedade que isso gerou para o sexo feminino. Não, as mulheres não são literalmente obrigadas a trabalhar fora, mas há um certo espanto quando se escuta de uma mulher que ela é "do lar". Há aquele olhar de quem pensa "então seu marido é obrigado a sustentar a família sozinho? então você não teve a dignidade de arrumar um emprego? então você é submissa a seu marido?" e por aí vai. Na verdade, penso que a mulher ganhou muito com a emancipação feminina e a luta pelos direitos das mulheres. Contudo, a família perdeu muito (eu diria quase tudo). Vejo crianças que são criadas pela televisão e pela escola, sem valores morais, sem carinho, sem atenção de pai e mãe. Crianças perdidas, que não sabem o que fazer nem a quem recorrer. Filho é coisa séria, gente. Seria necessário planejar antes de sair parindo por aí, para depois "dar um jeitinho". Como queremos uma sociedade justa, fraterna, igualitária e respeitadora, se os pais não tem tempo para ensinar esses valores a seus filhos?
E mais: quero meu direito de ser diferente dos homens. Não quero ser igual a eles. Quero poder ser mais frágil, mais sensível, mais sentimental, mais fraca fisicamente. Isso não significa ser oprimida. Quero ser respeitada pela minha diferença, não pela minha pseudo-igualdade. Sou mulher, sou diferente de um homem. E tenho orgulho disso!
Clipe novo de Lady Gaga,Born this way, gera polêmica mais uma vez. Fãs da cantora no Twitter questionam: "E agora, vão dizer que ela copiou quem?". Segundo o Jornal do Brasil, "a superprodução carrega referências planetárias de Star Wars, terras lúdicas de Tim Burton e cenas violentas praticamente tiradas de Sin City." Não é primeira vez que Gaga é acusada de plágio (segundo o mesmo site, a cantora já teria plagiado Expresse yourself, de Madonna). Contudo, a maior polêmica não será causada pelas acusações de plágio. O clipe é bastante simbólico e, quando se fala de símbolos, as interpretações podem ser as mais variadas possíveis. O clipe se inicia com um triângulo invertido. Segundo alguns estudos semióticos, tal triângulo representa o órgão sexual feminino. Isso faz muito sentido, já que o clipe mostra não apenas um, mas vários partos. Inclusive, nas estrelas, é possível verificar a imagem de um sistema reprodutor feminino, com útero, trompas e ovários.
No início do clipe, Gaga aparece narrando um trecho que não faz parte da música. Na verdade, faz parte do Manifesto of Mother Monster. O Manifesto explica que estamos em um G.O.A.T. (Government Owned Alien Territory), um governo pertencente ao território alienígena no espaço e que o nascimento de uma nova raça se inicia, porém, esse nascimento não é finito, mas sim infinito, jamais termina. No clipe, isso se justifica pelo fato de vermos imagens de parto o clipe todo.
É com essa nova raça que nasce da Mother Monster que se inicia uma nova raça humana, sem preconceitos, sem julgamentos, com uma imensa liberdade - a raça do futuro. Porém, ao mesmo tempo, há um outro nascimento: o nascimento do mal. Nesse momento, a Mother Monster se divide em duas, dando vida à nova raça e ao mal. "E então ela teve de fazer uma escolha. O pêndulo da escolha começou a balançar. Deve ser fácil para você imaginar que o pêndulo penderia imediatamente para o bem, mas ela pensou: 'como proteger algo tão perfeito sim o mal?' " Esta luta entre o bem e o mal, conhecida em filosofia como maniqueísmo, representa que sem o mal não há como se ter noção de bem e vice-versa. Para quem conhece um pouco da simbologia maçônica, sabe que isso faz parte dos ensinamentos deste ordem "discreta" - todo bem traz em si a semente do mal. Aliás, os triângulos e pirâmides também fazem parte da semiótica da maçonaria.
Com o nascimento do mal, representado por uma metralhadora que Gaga tem nas mãos (há quem afirme que se refere à polêmica inclusão dos homossexuais no exército americano), nasce o homem esqueleto, chamado de Zombie Boy, o tatuado e assustador modelo Rick Genest.
Aí começa realmente o clipe, com pessoas diferentes dançando da mesma forma, como uma legião de pessoas que aceita as diferenças do grupo - o que é perfeitamente conciliável com a ideia transmitida pela música, de que as pessoas nascem e precisam ser aceitas do jeito que são. Gaga também aparece com alguns "caroços" nos ombros, como se fossem ossos pontudos, e os ossos da face também parecem saltar (provavelmente querendo representar que tudo bem ser diferente). Gaga não apenas pariu o mal, como aparece flertando e seduzindo-o. Nesta cena, há alusão ao relacionamento homossexual masculino, uma vez que os dois personagens que aparecem estão usando smokings - roupa caracteristicamente masculina.
Aliás, o clipe todo é permeado de cenas de conotação sexual. Algumas vezes, Gaga leva a mão na direção da genitália e, com os dedos fechados como se segurasse um pênis, parece simular masturbação masculina. Em outros trechos, vemos várias pessoas envolvidas numa relação que parece ter ser sexual. Mãos sendo passadas nas partes genitais aparecem em vários momentos, no que parece ser uma forma de seduzir o telespectador. A sexualidade aflorada sempre fez parte dos clipes de Lady Gaga e não poderia ficar de fora deste, cuja música traz fortemente a bandeira de defesa dos homossexuais.
No fim do clipe, aparece uma cena em que Gaga faz uma homenagem a Michael Jackson, lembrado pelo beco escuro de thriller, e outra a Madonna, com seus dentes separados. Curioso é que Lady Madonna Gaga aparece chorando, escorrendo uma lágrima de seu olho. Seria uma provocação de Lady Gaga, insinuando que Madonna está triste por estar perdendo seu posto de rainda do pop? Seria uma alusão ao fato de que muitas pessoas disseram que Gaga plagiou Madonna?
Algumas pessoas se questionam sobre o unicórnio que aparece no início e no fim do clipe. Segundo alguns estudiosos de semiótica, o unicórnio pode representar uma união entre o nosso mundo e o mundo esotérico. Outros dizem que o chifre do unicórnio, localizado bem no meio da testa, seria uma forma figurativa do "olho que tudo vê" que, segundo a maçonaria, é o olho do grande arquiteto do universo, do qual nenhum ser humano pode se esconder.
O livro Mamãe, como eu nasci?, do sexólogo Marcos Ribeiro, com ilustrações de Bia Salgueiro, trata de um tema banalizado em nossa sociedade: o sexo. Sim, o sexo está banalizado, não se pode negar. Vivemos numa sociedade onde refrões altamente sexualizados se reproduzem e perpetuam nas bocas dos jovens e crianças, então temos "chupa, chupa que é de uva", "toma, negona, toma chupeta, toma, negona, na boca e na bochecha", "beijar na boca é coisa do passado, a nova onde é, é namorar pelado" e por aí vai. A televisão contribui para popularizar não somente essas "músicas", mas também para protagonizar cenas com pessoas semi-nuas, se agarrando e se beijando (quando não algo a mais) nos horários em que as crianças ainda não deveriam estar na cama.
Mas voltemos ao livro. A polêmica toda se deu quando o Ministério da Educação e Cultura (MEC) aprovou o livro, enviando-o gratuitamente às escolas públicas do Recife em 2010. O público de abrangência seria 25 mil alunos com idade entre 7 e 10 anos de idade. Segundo os pais destes alunos, o livro é impróprio para crianças muito pequenas, deveria ser destinado a pré-adolescentes, não a crianças. Algumas crianças esconderam o livro em casa, de modo que seus pais não o encontrassem. Um menino de 8 anos, da Escola Municipal Herbert de Souza, no bairro Santo Amaro, teria dito "Oba, a gente vai ter aula de safadeza!". Uma menina disse que escondera o livro de seu pai porque, caso ele o encontrasse, iria até a escola "fazer um barraco".
Alguns alegam que o problema do livro está nas ilustrações, que mostram, entre outras imagens, uma menina se masturbando em frente à tv, um menino se masturbando dentro de uma banheira, um casal nu aos beijos, uma menina com um espelho examinando sua vulva. As ilustrações não são fotográficas, são desenhos com características bastante infantilizadas (o livro, na íntegra, está no vídeo aí em cima).
Não quero parecer puritana, mas quero fazer uma crítica ao livro - uma crítica pessoal, que reflete minha experiência pessoal e minha avaliação pessoal do material. Não quero com isso influenciar ninguém a pensar como eu - aliás, cada um que assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões.
Uma das justificativas para a adoção do livro nas escolas públicas, segundo a Secretaria de Educação do Recife foi "perceber que faltava uma ação educativa para as crianças do 4º e 5º ano, já que nessa idade a criança começa a receber informações distorcidas e incompletas sobre sexualidade. E o estímulo vem da TV, internet e músicas." Nos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, as crianças tem 10 e 11 anos, mas a indicação do livro é a partir dos 7. Concordo que a partir dos 10 anos o pré-adolescente precisa ser direcionado adequadamente com relação às questões da sexualidade, porque senão ele vai procurar informações com quem quer que as conceda. Sanar a curiosidade púbere com colegas, vizinhos, amigos, pode levar o pré-adolescente a receber informações distorcidas. Nesse sentido, um livro seria adequado.
O livro em questão trata de um assunto polêmico, a masturbação. Traz ilustrações sobre o tema e diz que "As pessoas grandes dizem que isso vicia ou 'tira a mão daí que isso é feio'. Só sabem abrir a boca para proibir." Essa afirmação do livro, que para a criança foi escrito por um especialista (porque as crianças acreditam em tudo o que lhes diz o livro ou o[a] professor[a]), a faz acreditar que quando um adulto a proíbe de alguma coisa, está errado. A frase do livro é bem clara: "(As pessoas grandes) Só sabem abrir a boca para proibir." Isso tira a autoridade dos pais sobre os filhos, não só no concernente a esta questão da masturbação, mas na vida dos pequenos como um todo. Se o escritor não tinha a intenção de veicular esta ideia, ainda que subliminarmente o acabou fazendo. Num país onde cada vez menos vemos pais que saibam ter autoridade para educar seus filhos, num país onde a cada dia mais vemos filhos desautorizando seus pais em público, num país onde filhos batem nos pais e estes se calam por vergonha de não terem tido autoridade para impedir a agressão, queremos mesmo um livro que diga às crianças pequenas que os adultos só sabem abrir a boca para proibir? Eu não quero!
Em alguns trechos do livro, o autor usa o termo "gostoso" para se referir às questões da sexualidade, não somente ao ato em si, mas à ereção, à ejaculação, ao orgasmo. Pré-adolescentes talvez tenham maturidade suficiente para lidar com isso. Mas em se tratando de crianças, não seriam estas afirmações um modo de as expor precocemente à sexualização? Especialistas dizem que crianças tendem a reproduzir aquilo a que são expostas. Quando uma criança pergunta como o bebê foi parar na barriga da mãe, não quer dizer que esteja pronta para saber todas as etapas do ato sexual. Expor crianças a situações sexuais para as quais não estejam psicologicamente preparadas pode ser abrir uma porta para comportamentos precocemente erotizados, e talvez até mesmo à pedofilia, uma vez que, movida pela curiosidade de experimentar esta sensação "gostosa", ela "aceite" a experiência, venha de onde vier. "Esta situação de sensualização precoce provoca aumento de ansiedade nos pais, estimula a violência sexual infantil, a iniciação sexual precoce, a pedofilia e, nas classes baixas, a prostituição infantil", diz a psicanalista gaúcha Norma Escosteguy (aqui).
Segundo minha própria experiência, não há nada no livro que eu também não tenha lido em minha adolescência. Note bem: a-do-les-cência, não infância. Descobri aos sete anos o que era uma relação sexual. Na época, a tv veiculava propagandas de combate à aids. Uma noite, perguntei a minha mãe: "O que é sexo?", ao que ela me respondeu "Sexo masculino, sexo feminino". Na hora, me dei por satisfeita pela resposta, até ver novamente a propaganda, que falava em não fazer sexo sem camisinha. Perguntei-lhe como é que se fazia "sexo feminino e sexo masculino" ao que ela não teve outra alternativa senão me contar como é que os bebês eram feitos. Lembrando friamente, aos 7 anos, acho que não estava preparada para receber essas informações, porque me lembro que fiquei chocada. Lembro-me que muitas piadas pareciam fazer sentido, tudo o que escutava passou a ser "maliciado", além do fato de que contei para todas as minhas amiguinhas da primeira série, porque eu precisava desabafar aquilo com alguém. Definitivamente, eu não conseguia guardar aquilo para mim. Contudo, leitura informativa relacionada à sexualidade passei a consumir após os 13, 14 anos. Aí, sim, tinha maturidade emocional para lidar com aquilo que passava a descobrir.
Voltando ao livro, o psicólogo infantil Carlos Brito diz que o problema não está na ilustração do livro, mas sim na forma como ele foi trabalhado na escola. Afinal, não é um livro como o da Branca de Neve, que você disponibiliza às crianças e pronto. "Ele exige reflexão e um trabalho de orientação mais amplo. É uma pena que haja essa resistência de alguns pais, já que essa obra é muito séria e adequada a pré-adolescentes", opinou. O que me pergunto é se os professores das escolas públicas estão adequadamente preparados para trabalhar o livro com seus alunos. Quem conhece, sabe como está a situação das escolas públicas em nosso país. Considerando os índices de avaliação nacional e internacional, sabe-se que a escola sequer dá conta de trabalhar convenientemente os conteúdos científicos. Algumas escolas não estão conseguindo nem mesmo alfabetizar plenamente seus alunos. Seria mesmo possível dar educação sexual adequada aos pré-adolescentes no âmbito escolar? Não acredito.
O filósofo Olavo de Carvalho criticou a distribuição do livro para as escolas públicas. Ele disse que o dinheiro público não deveria ser investido num livro que ensina as crianças a se masturbarem e a desobedecerem seus pais. Olavo tem um programa de rádio chamado Outspeak, que vai ao ar uma vez por semana em seu site e é conhecido por sua "irreverência" nas palavras (por muitas vezes diz até alguns palavrões, principalmente quando se vê indignado com alguma questão), mas é defensor da família e dos bons costumes.
Na verdade, o livro não é de todo ruim. Acho até que, dependendo da idade à qual se destine, o livro é bom. A polêmica toda foi gerada porque o livro foi parar na mãos das crianças sem nenhum tipo de orientação. Não acho que trabalhar a sexualidade com crianças seja função da escola (na verdade, nem com adolescentes é função da escola, mas com alguns, se a escola não o fizer, os "amigos" o farão). O fato é que expor crianças a partir dos 7 anos a informações para as quais elas não tem maturidade para lidar é abrir uma porta que deveria permanecer fechada até a puberdade. Quem conhece as consequências de uma sexualização precoce sabe do que eu estou falando.
Considerando meu direito de resposta reconhecido constitucionalmente como direito fundamental no art. 5, inc. V da Constituição Federal.
No dia 12 de fevereiro de 2011, fiz uma postagem com os vídeos resultantes de um dos projetos desenvolvidos com meus alunos do Ensino Médio, o trabalho dos covers musicais. O vídeo produzido em questão finaliza todo um projeto de trabalho em Língua Inglesa, no qual os alunos devem aprender a pronúncia das palavras, os tempos verbais necessários à produção de um texto escrito do gênero perfil sobre o artista escolhido, culminando o projeto com a produção de um vídeo clipe e uma apresentação oral em sala de aula.
Um dos visitantes do meu blog, que em primeira instância se identificou como @pimpim e depois como @ben-hur (que segundo seu perfil no blogger se chama Ben-Hur Rosa da Silva) criticou o trabalho desenvolvido pelos meus alunos na escola pública na qual leciono, dizendo que o trabalho reproduzia músicas enlatadas da indústria fonográfica americana, que os vídeos são caricatos e que não contribuem em nada para a formação cultural dos meus alunos. Elogiou-me apenas pelo fato de que eu compareço sempre às minhas aulas, o que demonstra que ele sabe como está a situação de falta de professores na rede estadual de ensino de Santa Catarina.
Perfil do Facebook de Ben-hur - da forma que aparece, publicamente, no site.
Perfil do Orkut de Ben-hur - da forma que aparece, publicamente, no site.
Achei a crítica dele um pouco exagerada para quem conhece apenas uma parte do processo, já que no post foram colocados apenas os vídeos finais de todo um projeto. Na verdade, como professora, acredito na democracia, acredito que meus alunos tem o direito de ter seus gostos próprios, por mais que a escola tenha por obrigação mostrar a eles outras realidades diferentes daquelas que eles já conhecem (o que também é feito). Nesse sentido, os alunos escolheram os artistas com os quais se identificavam, os quais eles mais gostavam, pois isso daria material para a produção do trabalho com o qual eles utilizariam a língua inglesa, que é pressuposto da Proposta Curricular de Santa Catarina. O critério para a escolha das músicas é de que não pudessem conter palavrões, nem fazer apologia a algo ilícito ou de moral duvidosa.
Contudo, não se dando por satisfeito, o senhor Ben-hur retornou ao blog para dizer que o trabalho em nada havia contribuído com a formação de meus alunos, uma vez que seu primo é aluno de minha escola e estando no 2º ano do Ensino Médio, não sabia nem mesmo conjugar o verbo to be. Pois bem, não me dei ao trabalho de responder, porque meu objetivo com este blog não é gerar polêmica (para gerar polêmica, contribuo com o blogRefrigerante de Pimenta). Contudo, um professor que conhece meu trabalho veio em minha defesa e questionou Ben-hur sobre que qualificação ele teria para questionar o meu trabalho especificamente, já que ele não conhece os dois lados envolvidos (conhece apenas o lado do primo). Perguntou a ele quantas aulas ele já havia ministrado para falar com tal propriedade sobre as questões relativas ao ensino. Baseando-se nisso, disse que Ben-hur havia dado um "tiro no escuro" por não conhecer plenamente todo o processo.
Para se defender, o senhor @Ben-hur afirmou que é formado em Odontologia pela UFSC, especialista em Odontodontia e Implantologia, sendo ele professor da UFSC nas disciplinas de Biologia Celular, Bioquímica e Interação Comunitária. Disse ainda que ele tinha o direito de criticar e fazer sugestões (apesar de, na minha opinião, não ter feito nenhuma) porque o trabalho foi exposto na rede mundial de computadores. Partindo deste mesmo princípio, procurei por seu nome na rede, e encontrei informações muito interessantes e mentirosas. Ben-hur Rosa da Silva não é formado em Odontologia, ele é calouro da UFSC no referido curso, ao qual ingressou no primeiro semestre de 2011, conforme demonstram o site da Posiville (onde, por sinal, eu já trabalhei) onde ele provavelmente fez cursinho pré-vestibular, o site da UFSC, que traz a relação dos aprovados no curso para o primeiro semestre de 2011 e o próprio Orkut do senhor Ben-hur, que tem um álbum chamado Odontologia UFSC 2011, com a seguinte descrição "Ao contrário dos que torciam pela vitória do fracasso, Estamos de volta". Os prints das páginas estão aqui nesta postagem para serem vistos e podem ser acessados nos links para comprovação. Outro fato curioso é que a página do Facebook de Ben-hur mostra que ele nasceu em 1991, ou seja, tem 20 anos de idade. Intrigante o fato de a UFSC contratar alguém que tenha apenas 20 anos para lecionar? Com 20 anos, teria o Senhor Ben-hur mestrado na sua área de atuação, que é o mínimo exigido nos concursos para a área docente da Universidade Federal de Santa Catarina? Que velocidade recorde é esta na qual este senhor conseguiu completar seus estudos pós-graduação? Nenhuma das informações obtidas foi acessada de modo ilegal, está na internet, à disposição, para que qualquer pessoa veja quem ele é.
Além disso, o senhor @Ben-hur colocou um trecho da letra da música 21 Questions, do 50 Cent, no qual ele diz haver alusões ao crime, banalização do sexo e tráfico. A tradução foi tirada do site de Letras do Terra, e percebe-se que o senhor @Ben-hur apenas interpretou o trecho isoladamente, com a tradução diretamente, sem considerar a letra original, que não é que fazem meus alunos durante o processo de escolha. Que o cantor é reconhecido por seu envolvimento com drogas e crimes, é público e notório, mas a música escolhida não faz apologias. Releia a letra toda.
O grande questionamento que faço aqui não é nem mesmo condizente com a índole desta pessoa que pensou que, mentindo em sua afirmação, poderia convencer as pessoas de que tem o gabarito necessário para criticar a educação pública. O que questiono é onde foi parar o bom senso na internet. Pessoas diariamente acessam blogs e sites para criticar, para tentar ofender as outras pessoas. Mas que contribuições estas críticas podem trazer? Porque crítica sem sugestão é apenas uma rabugice de quem reclama de tudo. Sei que se quero continuar a brincar de blogueira, preciso aprender a lidar com trolls e haters, porque eles estão por toda parte. Mas que mundo é este, onde as pessoas criticam uma parte como se fosse o todo, onde alguém entra no blog de uma pessoa para criticar o sistema no qual ela trabalha? Desculpe-me, senhor Ben-hur, sei que o sistema educacional não é perfeito - na verdade, está muito longe disso. Mas falar mal do meu trabalho simplesmente porque acha que o sistema está falido é como reclamar com seu vizinho porque o governo está agindo de forma corrupta - ou seja, não funciona. Não há nada que eu possa fazer sozinha contra o sistema de ensino. Se você tem críticas a fazer, mande-as ao Ministério da Educação, ou à Secretaria de Estado de Educação. Não critique o trabalho que uma professora que faz de tudo para não perder as esperanças em seus alunos, uma professora que ama seu trabalho, que procura não faltar no trabalho porque sabe o prejuízo que a ausência dos professores causa na formação dos alunos, uma professora que está sempre em busca de aperfeiçoamento, uma professora cujo trabalho foi reconhecido com o Prêmio Profissional Destaque em Educação no ano de 2010.
Sei que o senhor vai querer polemizar neste tópico também, mas, desculpe-me, desta vez seu comentário não será postado. Você que procure outro meio de dar sua contra-resposta, como eu fiz. Na verdade, não fui eu quem procurei o seu site para criticá-lo, foi você quem me procurou e criticou o meu trabalho, no meu espaço. Então, busque seu espaço. Espero que o mundo o torne uma pessoa melhor, com uma melhor argumentação, para que não seja necessário usar de falsas afirmações para ter credibilidade. Que Deus o acompanhe.
P.S.: Considerando a legislação vigente, no tocante ao uso do direito de imagem, as fotos de Ben-hur foram ocultadas, porque os fatos realizados por este senhor são desabonadores de sua conduta e poderiam implicar comprometimento à sua imagem. Como o próprio Ben-hur solicitou a retirada das imagens, assim o fiz. De qualquer forma, os perfis de internet e as demais informações foram mantidos, por se tratarem de informações que estavam publicamente disponíveis na internet para que qualquer pessoa as acessassem (meu acesso foi feito dia 23 de fevereiro de 2011, por volta das 12h).
Em minha casa, a Rede Globo não pega. Não me pergunte por quê. Não sei se isto é apenas uma fatalidade do destino ou se obra divina. O caso é que desde que trocamos o aparelho de tv pequeno por um maior, a Globo não pega mais. De qualquer forma, eu quase não assisto tv. Às vezes, contrariando os nutricionistas e os bons costumes, ligo a tv na hora das refeições – porque, sim, eu como em frente à tv. Acho que é mais pelo barulho, já que comer, eu como com a boca fechada e, desta forma, não há como conversar. Geralmente, à hora das refeições, está passando o noticiário, então meu precioso tempo não é de todo desperdiçado. As pessoas me perguntam se eu não sinto falta da tv. E a resposta é: não. Ponto final. Não preciso da tv com a internet à minha disposição. Com o advento do Twitter, seguindo os jornais locais e as grandes revistas de circulação nacional, sei das notícias antes mesmo de serem passadas nos noticiários, com a informação quase em real time. No mais, no quesito entretenimento, vamos e venhamos: a tv não é em si um grande negócio. Vejamos o caso da programação da Globo em dia de semana. Durante o dia, eu, como a maioria dos brasileiros adultos, estou no trabalho e não posso acompanhar o que se passa na telinha. Mas à noite, fora os noticiários, temos quatro novelas (três e meia, para ser bem exata, porque Malhação é uma meia novela). Com relação a estes programas adorados pelas mulheres e donas de casa pelo Brasil afora e acompanhados pelos maridos e filhos dessas mulheres que não tem para onde ir neste momento do horário nobre, basta assistir a um capítulo nos sábados para estar (quase) complemente inteirado da história. É um festival de clichês e histórias óbvias e receitas prontas que nunca entendi como as pessoas passam um tempo tão precioso de suas vidas acompanhando vidas fictícias e prevísiveis – e ainda as discutem com os colegas! Sem falar que os folhetins eletrônicos contribuem para disseminar entre a população geral as tendências do que usar, o que comer, o que vestir, o que calçar, que móveis comprar e por aí vai. Muito me admiro quando vejo pessoas comprando algo que se parece com um sapato ortopédico, usando, admirando e quando eu digo o que penso (Isso é horroroso!), simplesmente sorriem e respondem: “Mas está na moda. A Fulana (coloque aqui qualquer nome de personagem de novela) está usando.”
Mas a coisa vai mais além: as novelas contribuem para a formação de caráter, para as mudanças de comportamento, para o desvio de valores. Muitas situações tabus, ao aparecerem a primeira vez nas novelas, chocam a população. Depois, com o passar do tempo, o choque vai passando e, quanto mais uma situação é explorada pela tv, mais as pessoas se acostumam a ela. E o que era abominável passa a ser tolerado, depois respeitado, depois aceito como normal. Li esta semana um artigo falando sobre o hímen da personagem de uma das novelas. Parece que a menina perdeu a virgindade com alguém que nem era seu namorado e a mãe a estava criticando por ter perdido seu tesouro (ou algo do gênero), que poderia ser um grande trunfo em relação ao namorado rico (me corrijam se eu estiver errada). Imagine esta mesma cena passando numa novela há 15 anos atrás. Não seria possível. Olhe que ainda nem falei das cenas tórridas que, segundo me contam, estão sendo protagonizadas no BBB11. Dizem que a coisa por lá anda pegando fogo e que o Ministério Público já mandou avisar à Globo que eles estão de olho, porque a rede classificou o programa como indicado para pessoas acima de 12 anos. Contudo, acredito que não deva estar sendo transmitido nada no reality show que já não tenha sido mostrado em uma novela. Lembro-me de uma cena polêmica em que Ana Paula Arósio, em um dos primeiros capítulos de uma dada novela, aparecia fazendo um strip-tease para seu recém-marido, cena esta em que ficava completamente nua. Li nesta semana que passou que a Globo foi processada e perdeu, tendo que pagar uma bela multa, por uma cena na novela Cobras & Lagartos, na qual o ator Lázaro Ramos entrava em um local que se parecia com os bastidores de um desfile e havia duas figurantes com os seios à mostra (veja o vídeo acima - a cena aparece aos 8:45 minutos aproximadamente). O processo se deu porque a classificação etária indicativa de uma novela que é transmitida às sete da noite não condiz com a imagem de mulheres nuas (ou seminuas). Engraçado é que há um horário limite para a transmissão de imagens de acordo com a faixa etária do público, mas as propagandas do carnaval estão aí, rodando desde manhã até a noite. Alguns hão de me chamar puritana ou algo do gênero, o que não sou. Só acho que algumas coisas são totalmente desnecessárias. Banalizar o sexo, a exposição do corpo, os relacionamentos humanos, na minha opinião, é (ou deveria ser) algo totalmente fora de propósito. Existem muitas formas de entretenimento televisivo que poderiam ser exploradas pela tv brasileira, sem precisar de apelação. Cadê as séries com histórias intrigantes? Por que uma novela não pode ter uma história que faça o telespectador pensar? Onde foram parar as grandes reportagens investigativas ou mesmo as contemplativas, que não sejam meras repetições de reportagens anteriores? Por que os programas bons passam tão tarde da noite?
Nos outros canais, a coisa não anda muito diferente. Há novelas, com atores que muitas vezes já passaram pela Globo, que são mal dirigidos. As histórias não se diferem das globais. Para salvar, há alguns seriados americanos, que são reprisados ad aeternum, mas os espectadores continuam a assistir, na falta de ter algo melhor na televisão em outros canais. Se eu for falar da programação do fim de semana, então, a coisa piora. É um festival de bundas e shortinhos, com funks, forrós e músicas de duplo sentido para lá e para cá. Na Globo, há a passagem dos artistas das novelas pelo palco do Faustão, que não os deixa falar, mas os fica enaltecendo, num puxassaquismo sem tamanho. O que salva a programação de domingo em alguns canais são os vídeos que bombaram na internet, mas a maioria deles já é conhecida.
Infelizmente, o que está acontecendo (sem que sequer as pessoas se deem conta) é um emburrecimento massivo através da televisão. Histórias prontas, entretenimento vazio, apelação sexual e comercial, doutrinação ideológica, perda ou distorção de valores (não vou falar do noticiário manipulado, vou deixar para uma outra postagem mais adiante, mas assistam Muito além do Cidadão Kane). Assim, não se precisa pensar. Até porque para aceitar tudo aquilo que a mídia quer impôr à sociedade, pensar é desnecessário.
O YouTube tem um canal chamado YouTube Carnaval, no qual estão os vídeos com as músicas que possivelmente vão bombar este ano no carnaval brasileiro. De modo geral, apesar do som altamente dançante, as músicas apresentam letra de duplo sentido e coreografia sexualizada. Muitas pessoas acessam o conteúdo deste canal e criticam as letras e as danças, usando o termo “vergonha alheia”, muito popularizado na internet. Em contrapartida, há os defensores da “cultura baiana”, que dizem que é necessário respeitar este tipo de música e dança. Os argumentos para tal defesa são os mais variados. Vamos a eles. Não sei de onde as pessoas tiraram a ideia de que tudo o que faz parte da cultura é algo positivo. Isso é uma das maiores mentiras plantadas na mente humana. No Afeganistão, mulheres são torturadas e mutiladas diariamente pelos mais diversos motivos (muitas vezes por razões bobas) e isso faz parte da cultura daquele lugar. Esta prática é cultural. Mas, no meu ponto de vista, não é boa. Algumas tribos indígenas enterram crianças vivas, outras colocam-lhes luvas cheias de formigas carnívoras, por motivos culturais. Mas, por ser a cultura deles, deixa de ser cruel? Cultura nem sempre é algo bom. As pessoas precisam entender isso. Um dos comentários dizia não se pode criticar o axé na Bahia, da mesma forma que não se pode ir ao Rio de Janeiro para criticar o funk carioca. Eu pergunto: por que não? Porventura preciso eu aceitar tudo sem poder me manifestar, deixar a minha opinião? Ao ler este comentário, lembrei-me da professora primária que foi demitida após ter sido filmada em um “baile” de axé, no qual aparecia “dançando” a música Todo enfiado, da banda O troco. O problema não foi ela ter dançado a tal música. O problema foi ela ter deixado o vocalista da banda levantar sua saia, puxar sua calcinha para que ficasse (como diz a letra de sua música) “com o fio todo enfiado”. O que a professora não contava é que seria filmada por inúmeros celulares e colocada na internet. Infelizmente, vivemos na geração Big Brother (não a do reality show, a do livro 1984, de George Orwell) e somos constantemente monitorados. Também acredito que o que um professor faz no seu período de folga é problema seu, e não da escola, mas acredito que mesmo que ela exercesse outra profissão, a empresa para a qual ela trabalhasse não ia querer ver sua imagem vinculada a alguém que está semi-nua na internet. O mesmo acontece com os jogadores de futebol que são flagrados em escândalos: eles perdem o contrato porque o clube não quer sua imagem associada ao escândalo. Em algumas reportagens na TV, a professora diz que o aspecto sexual dos bailes faz parte da cultura da Bahia, que é comum as mulheres se exporem daquela mesma forma que ela se expôs. E eu pergunto: só porque é cultural, precisa ser incentivado? É produtivo? É útil à sociedade a perpetuação desse tipo de cultura? O que cada um faz quando está entre quatro paredes é problema de cada um. O que cada um faz em público é problema da sociedade. Uma pessoa no YouTube afirmou que o objetivo maior do axé é fazer as pessoas dançarem e a letra não deveria ser considerada, porque ela não é o objetivo. Ok, então por que não fazer letras menos sexualizadas, principalmente porque, tendo tais músicas um ritmo dançante, caem no gosto das crianças? Não seria possível conciliar uma música boa para dançar com uma letra que não seja de gosto duvidoso? Não precisa fazer uma letra literária, elaborada, que exija muito esforço intelectual (até porque, considerando as letras que conheço, acho que seria pedir demais), basta tirar o caráter sexual. Nossas crianças agradecem. As pessoas reclamam que o Brasil não vai para a frente, que estamos estagnados, que nossas escolas não dão conta de fazer com que nossos alunos se interessem por literatura, cinema e teatro de boa qualidade, mas o que eles aprendem com a televisão e com a internet? Pense bem: é possível alguém gostar de algo que o faça pensar quando é constantemente bombardeado com conteúdo de baixa qualidade e péssimo valor estético-artístico? Temos uma grande parcela da população que discute novela e BBB/A Fazenda e queremos uma nação que consuma arte, que tenha noções estéticas, que use de bom senso, que saiba educar seus filhos para um futuro de menos preconceito? E olhe que não falei do funk carioca, com suas preparadas e popozudas, nem do carnaval de escolas de samba, com suas muitas mulheres nuas com tapa-sexos de 3cm de comprimento. Desculpe meu desabafo, minha indignação, mas enquanto não fizermos nada para mudar esta dita “cultura brasileira”, não podemos reclamar da situação.
Se você quiser ver o vídeo da professora sem o blur, clique aqui.
Não sei que maldição é esta que afeta as redes de fast-food. Principalmente as que se localizam na minha cidade, Joinville. Não sei se o povo joinvillense é acomodado demais para reclamar, mas as coisas por aqui não andam muito bem, não. Atendentes do Subway, por exemplo, precisam atender a um requisito para serem contratados: precisam ter problemas de paralaxe. Para quem não sabe o que é, eles tem problemas com a lateralidade, problema este que poderia ter sido resolvido com as aulas de Educação Física na infância. Como essas aulas hoje em dia têm caráter exclusivamente recreativo, temos pessoas que não conseguem colocar a mesma quantidade de recheio dos dois lados do pão. Funciona assim: a atendente começa a colocar os ingredientes na baguete de 30cm da direita para a esquerda. O problema é que o lado esquerdo geralmente (quase sempre) fica vazio. Não sei o que há de tão difícil em distribuir proporcionalmente os ingredientes pelo pão todo. Pense num casal que divide o pão (que é o nosso caso): um dos dois vai comer um lanche super-mega recheado e o outro vai comer um pão quase vazio. É sério. Com o McDonald’s, a coisa não é muito diferente. Nunca peçam os lanches da promoção: algo de errado vai estar presente. Atualmente, está na promoção, por R$3,00, o Chicken McJunior. Particularmente, o lanche é bom, mas da última vez que o pedi, o lanche estava tão seco que o frango à milanesa parecia que tinha sido empanado com areia. O Cheddar McMelt está por R$5,00, mas a quantidade de cheddar presente no lanche foi reduzida a 1/3 do normal. De que adianta fazer promoção para as pessoas conhecerem o lanche e tirar-lhe a qualidade que lhe é devida? Sem falar que, aqui em minha cidade, no McDonald’s que não está no shopping (que é aonde costumo ir), a máquina de milk-shake já veio estragada de fábrica. Comparado com milk-shakes de outros Mac’s, o de lá é apenas milk, porque o shake fica de fora, de tão aguado que é. Infelizmente, penso que a falta de treinamento dos lancheiros é culpa dos restaurantes franqueados. A menina do Subway acabou de sair do treinamento, mas não sabia quais os ingredientes do sabor que eu escolhi – aliás, ela nem sabia que o sabor que eu escolhi existia e precisava consultar uma tabela de ingredientes a cada segundo. Mas que treinamento ela recebeu? Por que já saiu do treinamento se ainda não aprendeu? Por que o McDonald’s não recebe o mesmo treinamento em todas as lojas? Ou se recebem, por que nem todas o seguem? Um McSundae ou um McFlurry em Floripa tem muito mais calda e acompanhamentos que em Joinville. Por quê? Quem está errando? Cadê a cobrança? Cadê as auditorias? Mas nem só de McDonald’s e Subway vive a incompetência. O Bob’s, conhecido concorrente do Mac, também tem seus lanches em promoção. O Double Cheddar está por R$4,00 e em tese deveria vir com a cebola frita em molho shoyu. O último que comprei veio com cebola crua e o sabor ácido e o hálito “fresco” me fizeram muito bem à lembrança: lembrei do lanche o restante do dia. Acho que, se não é para continuar fazendo com a mesma qualidade, não coloca em promoção. Mantém-se o preço original, mas não arruina o nome do estabelecimento. Outro problema dos fast-foods (e de qualquer prestador de serviço em geral) é que, a partir do momento que os atendentes se acostumam a sua presença, passam a prestar um mau serviço. Eles percebem que você vai sempre lá e pensam “esse aí já tá garantido, vou me dedicar mais ao outro, que quase nunca vem aqui”. Um grave erro. Gravíssimo. Se eu vou com frequência a um mesmo lugar, quero a mesma eficiência no atendimento e nos produtos adquiridos. Se não fosse assim, eu não teria voltado. Continuaremos de olho. E sempre que precisar, vamos reclamar. E ainda: se não formos ouvidos, trocaremos as grandes redes pelas lanchonetes de bairro – para sempre!