sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"Mamãe, como eu nasci?" ou "Oba, hoje vai ter aula de safadeza na escola"



O livro Mamãe, como eu nasci?, do sexólogo Marcos Ribeiro, com ilustrações de Bia Salgueiro, trata de um tema banalizado em nossa sociedade: o sexo. Sim, o sexo está banalizado, não se pode negar. Vivemos numa sociedade onde refrões altamente sexualizados se reproduzem e perpetuam nas bocas dos jovens e crianças, então temos "chupa, chupa que é de uva", "toma, negona, toma chupeta, toma, negona, na boca e na bochecha", "beijar na boca é coisa do passado, a nova onde é, é namorar pelado" e por aí vai. A televisão contribui para popularizar não somente essas "músicas", mas também para protagonizar cenas com pessoas semi-nuas, se agarrando e se beijando (quando não algo a mais) nos horários em que as crianças ainda não deveriam estar na cama.
Mas voltemos ao livro. A polêmica toda se deu quando o Ministério da Educação e Cultura (MEC) aprovou o livro, enviando-o gratuitamente às escolas públicas do Recife em 2010. O público de abrangência seria 25 mil alunos com idade entre 7 e 10 anos de idade. Segundo os pais destes alunos, o livro é impróprio para crianças muito pequenas, deveria ser destinado a pré-adolescentes, não a crianças. Algumas crianças esconderam o livro em casa, de modo que seus pais não o encontrassem. Um menino de 8 anos, da Escola Municipal Herbert de Souza, no bairro Santo Amaro, teria dito "Oba, a gente vai ter aula de safadeza!". Uma menina disse que escondera o livro de seu pai porque, caso ele o encontrasse, iria até a escola "fazer um barraco".
Alguns alegam que o problema do livro está nas ilustrações, que mostram, entre outras imagens, uma menina se masturbando em frente à tv, um menino se masturbando dentro de uma banheira, um casal nu aos beijos, uma menina com um espelho examinando sua vulva. As ilustrações não são fotográficas, são desenhos com características bastante infantilizadas (o livro, na íntegra, está no vídeo aí em cima).
Não quero parecer puritana, mas quero fazer uma crítica ao livro - uma crítica pessoal, que reflete minha experiência pessoal e minha avaliação pessoal do material. Não quero com isso influenciar ninguém a pensar como eu - aliás, cada um que assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões.
Uma das justificativas para a adoção do livro nas escolas públicas, segundo a Secretaria de Educação do Recife foi "perceber que faltava uma ação educativa para as crianças do 4º e 5º ano, já que nessa idade a criança começa a receber informações distorcidas e incompletas sobre sexualidade. E o estímulo vem da TV, internet e músicas." Nos 4º e 5º anos do Ensino Fundamental, as crianças tem 10 e 11 anos, mas a indicação do livro é a partir dos 7. Concordo que a partir dos 10 anos o pré-adolescente precisa ser direcionado adequadamente com relação às questões da sexualidade, porque senão ele vai procurar informações com quem quer que as conceda. Sanar a curiosidade púbere com colegas, vizinhos, amigos, pode levar o pré-adolescente a receber informações distorcidas. Nesse sentido, um livro seria adequado.
O livro em questão trata de um assunto polêmico, a masturbação. Traz ilustrações sobre o tema e diz que "As pessoas grandes dizem que isso vicia ou 'tira a mão daí que isso é feio'. Só sabem abrir a boca para proibir." Essa afirmação do livro, que para a criança foi escrito por um especialista (porque as crianças acreditam em tudo o que lhes diz o livro ou o[a] professor[a]), a faz acreditar que quando um adulto a proíbe de alguma coisa, está errado. A frase do livro é bem clara: "(As pessoas grandes) Só sabem abrir a boca para proibir." Isso tira a autoridade dos pais sobre os filhos, não só no concernente a esta questão da masturbação, mas na vida dos pequenos como um todo. Se o escritor não tinha a intenção de veicular esta ideia, ainda que subliminarmente o acabou fazendo. Num país onde cada vez menos vemos pais que saibam ter autoridade para educar seus filhos, num país onde a cada dia mais vemos filhos desautorizando seus pais em público, num país onde filhos batem nos pais e estes se calam por vergonha de não terem tido autoridade para impedir a agressão, queremos mesmo um livro que diga às crianças pequenas que os adultos só sabem abrir a boca para proibir? Eu não quero!
Em alguns trechos do livro, o autor usa o termo "gostoso" para se referir às questões da sexualidade, não somente ao ato em si, mas à ereção, à ejaculação, ao orgasmo. Pré-adolescentes talvez tenham maturidade suficiente para lidar com isso. Mas em se tratando de crianças, não seriam estas afirmações um modo de as expor precocemente à sexualização? Especialistas dizem que crianças tendem a reproduzir aquilo a que são expostas. Quando uma criança pergunta como o bebê foi parar na barriga da mãe, não quer dizer que esteja pronta para saber todas as etapas do ato sexual. Expor crianças a situações sexuais para as quais não estejam psicologicamente preparadas pode ser abrir uma porta para comportamentos precocemente erotizados, e talvez até mesmo à pedofilia, uma vez que, movida pela curiosidade de experimentar esta sensação "gostosa", ela "aceite" a experiência, venha de onde vier. "Esta situação de sensualização precoce provoca aumento de ansiedade nos pais, estimula a violência sexual infantil, a iniciação sexual precoce, a pedofilia e, nas classes baixas, a prostituição infantil", diz a psicanalista gaúcha Norma Escosteguy (aqui).
Segundo minha própria experiência, não há nada no livro que eu também não tenha lido em minha adolescência. Note bem: a-do-les-cência, não infância. Descobri aos sete anos o que era uma relação sexual. Na época, a tv veiculava propagandas de combate à aids. Uma noite, perguntei a minha mãe: "O que é sexo?", ao que ela me respondeu "Sexo masculino, sexo feminino". Na hora, me dei por satisfeita pela resposta, até ver novamente a propaganda, que falava em não fazer sexo sem camisinha. Perguntei-lhe como é que se fazia "sexo feminino e sexo masculino" ao que ela não teve outra alternativa senão me contar como é que os bebês eram feitos. Lembrando friamente, aos 7 anos, acho que não estava preparada para receber essas informações, porque me lembro que fiquei chocada. Lembro-me que muitas piadas pareciam fazer sentido, tudo o que escutava passou a ser "maliciado", além do fato de que contei para todas as minhas amiguinhas da primeira série, porque eu precisava desabafar aquilo com alguém. Definitivamente, eu não conseguia guardar aquilo para mim. Contudo, leitura informativa relacionada à sexualidade passei a consumir após os 13, 14 anos. Aí, sim, tinha maturidade emocional para lidar com aquilo que passava a descobrir.
Voltando ao livro, o psicólogo infantil Carlos Brito diz que o problema não está na ilustração do livro, mas sim na forma como ele foi trabalhado na escola. Afinal, não é um livro como o da Branca de Neve, que você disponibiliza às crianças e pronto. "Ele exige reflexão e um trabalho de orientação mais amplo. É uma pena que haja essa resistência de alguns pais, já que essa obra é muito séria e adequada a pré-adolescentes", opinou. O que me pergunto é se os professores das escolas públicas estão adequadamente preparados para trabalhar o livro com seus alunos. Quem conhece, sabe como está a situação das escolas públicas em nosso país. Considerando os índices de avaliação nacional e internacional, sabe-se que a escola sequer dá conta de trabalhar convenientemente os conteúdos científicos. Algumas escolas não estão conseguindo nem mesmo alfabetizar plenamente seus alunos. Seria mesmo possível dar educação sexual adequada aos pré-adolescentes no âmbito escolar? Não acredito.
O filósofo Olavo de Carvalho criticou a distribuição do livro para as escolas públicas. Ele disse que o dinheiro público não deveria ser investido num livro que ensina as crianças a se masturbarem e a desobedecerem seus pais. Olavo tem um programa de rádio chamado Outspeak, que vai ao ar uma vez por semana em seu site e é conhecido por sua "irreverência" nas palavras (por muitas vezes diz até alguns palavrões, principalmente quando se vê indignado com alguma questão), mas é defensor da família e dos bons costumes.
Na verdade, o livro não é de todo ruim. Acho até que, dependendo da idade à qual se destine, o livro é bom. A polêmica toda foi gerada porque o livro foi parar na mãos das crianças sem nenhum tipo de orientação. Não acho que trabalhar a sexualidade com crianças seja função da escola (na verdade, nem com adolescentes é função da escola, mas com alguns, se a escola não o fizer, os "amigos" o farão). O fato é que expor crianças a partir dos 7 anos a informações para as quais elas não tem maturidade para lidar é abrir uma porta que deveria permanecer fechada até a puberdade. Quem conhece as consequências de uma sexualização precoce sabe do que eu estou falando.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mentira tem perna curta quando você está na internet

Considerando meu direito de resposta reconhecido constitucionalmente como direito fundamental no art. 5, inc. V da Constituição Federal.
No dia 12 de fevereiro de 2011, fiz uma postagem com os vídeos resultantes de um dos projetos desenvolvidos com meus alunos do Ensino Médio, o trabalho dos covers musicais. O vídeo produzido em questão finaliza todo um projeto de trabalho em Língua Inglesa, no qual os alunos devem aprender a pronúncia das palavras, os tempos verbais necessários à produção de um texto escrito do gênero perfil sobre o artista escolhido, culminando o projeto com a produção de um vídeo clipe e uma apresentação oral em sala de aula.
Um dos visitantes do meu blog, que em primeira instância se identificou como @pimpim e depois como @ben-hur (que segundo seu perfil no blogger se chama Ben-Hur Rosa da Silva) criticou o trabalho desenvolvido pelos meus alunos na escola pública na qual leciono, dizendo que o trabalho reproduzia músicas enlatadas da indústria fonográfica americana, que os vídeos são caricatos e que não contribuem em nada para a formação cultural dos meus alunos. Elogiou-me apenas pelo fato de que eu compareço sempre às minhas aulas, o que demonstra que ele sabe como está a situação de falta de professores na rede estadual de ensino de Santa Catarina.
Perfil do Facebook de Ben-hur - da forma que aparece, publicamente, no site.




Perfil do Orkut de Ben-hur - da forma que aparece, publicamente, no site.
Achei a crítica dele um pouco exagerada para quem conhece apenas uma parte do processo, já que no post foram colocados apenas os vídeos finais de todo um projeto. Na verdade, como professora, acredito na democracia, acredito que meus alunos tem o direito de ter seus gostos próprios, por mais que a escola tenha por obrigação mostrar a eles outras realidades diferentes daquelas que eles já conhecem (o que também é feito). Nesse sentido, os alunos escolheram os artistas com os quais se identificavam, os quais eles mais gostavam, pois isso daria material para a produção do trabalho com o qual eles utilizariam a língua inglesa, que é pressuposto da Proposta Curricular de Santa Catarina. O critério para a escolha das músicas é de que não pudessem conter palavrões, nem fazer apologia a algo ilícito ou de moral duvidosa.





Contudo, não se dando por satisfeito, o senhor Ben-hur retornou ao blog para dizer que o trabalho em nada havia contribuído com a formação de meus alunos, uma vez que seu primo é aluno de minha escola e estando no 2º ano do Ensino Médio, não sabia nem mesmo conjugar o verbo to be. Pois bem, não me dei ao trabalho de responder, porque meu objetivo com este blog não é gerar polêmica (para gerar polêmica, contribuo com o blog Refrigerante de Pimenta). Contudo, um professor que conhece meu trabalho veio em minha defesa e questionou Ben-hur sobre que qualificação ele teria para questionar o meu trabalho especificamente, já que ele não conhece os dois lados envolvidos (conhece apenas o lado do primo). Perguntou a ele quantas aulas ele já havia ministrado para falar com tal propriedade sobre as questões relativas ao ensino. Baseando-se nisso, disse que Ben-hur havia dado um "tiro no escuro" por não conhecer plenamente todo o processo.

Para se defender, o senhor @Ben-hur afirmou que é formado em Odontologia pela UFSC, especialista em Odontodontia e Implantologia, sendo ele professor da UFSC nas disciplinas de Biologia Celular, Bioquímica e Interação Comunitária. Disse ainda que ele tinha o direito de criticar e fazer sugestões (apesar de, na minha opinião, não ter feito nenhuma) porque o trabalho foi exposto na rede mundial de computadores. Partindo deste mesmo princípio, procurei por seu nome na rede, e encontrei informações muito interessantes e mentirosas. Ben-hur Rosa da Silva não é formado em Odontologia, ele é calouro da UFSC no referido curso, ao qual ingressou no primeiro semestre de 2011, conforme demonstram o site da Posiville (onde, por sinal, eu já trabalhei) onde ele provavelmente fez cursinho pré-vestibular, o site da UFSC, que traz a relação dos aprovados no curso para o primeiro semestre de 2011 e o próprio Orkut do senhor Ben-hur, que tem um álbum chamado Odontologia UFSC 2011, com a seguinte descrição "Ao contrário dos que torciam pela vitória do fracasso, Estamos de volta". Os prints das páginas estão aqui nesta postagem para serem vistos e podem ser acessados nos links para comprovação. Outro fato curioso é que a página do Facebook de Ben-hur mostra que ele nasceu em 1991, ou seja, tem 20 anos de idade. Intrigante o fato de a UFSC contratar alguém que tenha apenas 20 anos para lecionar? Com 20 anos, teria o Senhor Ben-hur mestrado na sua área de atuação, que é o mínimo exigido nos concursos para a área docente da Universidade Federal de Santa Catarina? Que velocidade recorde é esta na qual este senhor conseguiu completar seus estudos pós-graduação? Nenhuma das informações obtidas foi acessada de modo ilegal, está na internet, à disposição, para que qualquer pessoa veja quem ele é.
Além disso, o senhor @Ben-hur colocou um trecho da letra da música 21 Questions, do 50 Cent, no qual ele diz haver alusões ao crime, banalização do sexo e tráfico. A tradução foi tirada do site de Letras do Terra, e percebe-se que o senhor @Ben-hur apenas interpretou o trecho isoladamente, com a tradução diretamente, sem considerar a letra original, que não é que fazem meus alunos durante o processo de escolha. Que o cantor é reconhecido por seu envolvimento com drogas e crimes, é público e notório, mas a música escolhida não faz apologias. Releia a letra toda. 
O grande questionamento que faço aqui não é nem mesmo condizente com a índole desta pessoa que pensou que, mentindo em sua afirmação, poderia convencer as pessoas de que tem o gabarito necessário para criticar a educação pública. O que questiono é onde foi parar o bom senso na internet. Pessoas diariamente acessam blogs e sites para criticar, para tentar ofender as outras pessoas. Mas que contribuições estas críticas podem trazer? Porque crítica sem sugestão é apenas uma rabugice de quem reclama de tudo. Sei que se quero continuar a brincar de blogueira, preciso aprender a lidar com trolls e haters, porque eles estão por toda parte. Mas que mundo é este, onde as pessoas criticam uma parte como se fosse o todo, onde alguém entra no blog de uma pessoa para criticar o sistema no qual ela trabalha? Desculpe-me, senhor Ben-hur, sei que o sistema educacional não é perfeito - na verdade, está muito longe disso. Mas falar mal do meu trabalho simplesmente porque acha que o sistema está falido é como reclamar com seu vizinho porque o governo está agindo de forma corrupta - ou seja, não funciona. Não há nada que eu possa fazer sozinha contra o sistema de ensino. Se você tem críticas a fazer, mande-as ao Ministério da Educação, ou à Secretaria de Estado de Educação. Não critique o trabalho que uma professora que faz de tudo para não perder as esperanças em seus alunos, uma professora que ama seu trabalho, que procura não faltar no trabalho porque sabe o prejuízo que a ausência dos professores causa na formação dos alunos, uma professora que está sempre em busca de aperfeiçoamento, uma professora cujo trabalho foi reconhecido com o Prêmio Profissional Destaque em Educação no ano de 2010.
Sei que o senhor vai querer polemizar neste tópico também, mas, desculpe-me, desta vez seu comentário não será postado. Você que procure outro meio de dar sua contra-resposta, como eu fiz. Na verdade, não fui eu quem procurei o seu site para criticá-lo, foi você quem me procurou e criticou o meu trabalho, no meu espaço. Então, busque seu espaço. Espero que o mundo o torne uma pessoa melhor, com uma melhor argumentação, para que não seja necessário usar de falsas afirmações para ter credibilidade. Que Deus o acompanhe.

P.S.: Considerando a legislação vigente, no tocante ao uso do direito de imagem, as fotos de Ben-hur foram ocultadas, porque os fatos realizados por este senhor são desabonadores de sua conduta e poderiam implicar comprometimento à sua imagem. Como o próprio Ben-hur solicitou a retirada das imagens, assim o fiz. De qualquer forma, os perfis de internet e as demais informações foram mantidos, por se tratarem de informações que estavam publicamente disponíveis na internet para que qualquer pessoa as acessassem (meu acesso foi feito dia 23 de fevereiro de 2011, por volta das 12h).


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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Desliguem a TV!



Em minha casa, a Rede Globo não pega. Não me pergunte por quê. Não sei se isto é apenas uma fatalidade do destino ou se obra divina. O caso é que desde que trocamos o aparelho de tv pequeno por um maior, a Globo não pega mais. De qualquer forma, eu quase não assisto tv. Às vezes, contrariando os nutricionistas e os bons costumes, ligo a tv na hora das refeições – porque, sim, eu como em frente à tv. Acho que é mais pelo barulho, já que comer, eu como com a boca fechada e, desta forma, não há como conversar. Geralmente, à hora das refeições, está passando o noticiário, então meu precioso tempo não é de todo desperdiçado.
As pessoas me perguntam se eu não sinto falta da tv. E a resposta é: não. Ponto final. Não preciso da tv com a internet à minha disposição. Com o advento do Twitter, seguindo os jornais locais e as grandes revistas de circulação nacional, sei das notícias antes mesmo de serem passadas nos noticiários, com a informação quase em real time. No mais, no quesito entretenimento, vamos e venhamos: a tv não é em si um grande negócio.
Vejamos o caso da programação da Globo em dia de semana. Durante o dia, eu, como a maioria dos brasileiros adultos, estou no trabalho e não posso acompanhar o que se passa na telinha. Mas à noite, fora os noticiários, temos quatro novelas (três e meia, para ser bem exata, porque Malhação é uma meia novela). Com relação a estes programas adorados pelas mulheres e donas de casa pelo Brasil afora e acompanhados pelos maridos e filhos dessas mulheres que não tem para onde ir neste momento do horário nobre, basta assistir a um capítulo nos sábados para estar (quase) complemente inteirado da história. É um festival de clichês e histórias óbvias e receitas prontas que nunca entendi como as pessoas passam um tempo tão precioso de suas vidas acompanhando vidas fictícias e prevísiveis – e ainda as discutem com os colegas! Sem falar que os folhetins eletrônicos contribuem para disseminar entre a população geral as tendências do que usar, o que comer, o que vestir, o que calçar, que móveis comprar e por aí vai. Muito me admiro quando vejo pessoas comprando algo que se parece com um sapato ortopédico, usando, admirando e quando eu digo o que penso (Isso é horroroso!), simplesmente sorriem e respondem: “Mas está na moda. A Fulana (coloque aqui qualquer nome de personagem de novela) está usando.”



Mas a coisa vai mais além: as novelas contribuem para a formação de caráter, para as mudanças de comportamento, para o desvio de valores. Muitas situações tabus, ao aparecerem a primeira vez nas novelas, chocam a população. Depois, com o passar do tempo, o choque vai passando e, quanto mais uma situação é explorada pela tv, mais as pessoas se acostumam a ela. E o que era abominável passa a ser tolerado, depois respeitado, depois aceito como normal. Li esta semana um artigo falando sobre o hímen da personagem de uma das novelas. Parece que a menina perdeu a virgindade com alguém que nem era seu namorado e a mãe a estava criticando por ter perdido seu tesouro (ou algo do gênero), que poderia ser um grande trunfo em relação ao namorado rico (me corrijam se eu estiver errada). Imagine esta mesma cena passando numa novela há 15 anos atrás. Não seria possível. Olhe que ainda nem falei das cenas tórridas que, segundo me contam, estão sendo protagonizadas no BBB11. Dizem que a coisa por lá anda pegando fogo e que o Ministério Público já mandou avisar à Globo que eles estão de olho, porque a rede classificou o programa como indicado para pessoas acima de 12 anos. Contudo, acredito que não deva estar sendo transmitido nada no reality show que já não tenha sido mostrado em uma novela. Lembro-me de uma cena polêmica em que Ana Paula Arósio, em um dos primeiros capítulos de uma dada novela, aparecia fazendo um strip-tease para seu recém-marido, cena esta em que ficava completamente nua. Li nesta semana que passou que a Globo foi processada e perdeu, tendo que pagar uma bela multa, por uma cena na novela Cobras & Lagartos, na qual o ator Lázaro Ramos entrava em um local que se parecia com os bastidores de um desfile e havia duas figurantes com os seios à mostra (veja o vídeo acima - a cena aparece aos 8:45 minutos aproximadamente). O processo se deu porque a classificação etária indicativa de uma novela que é transmitida às sete da noite não condiz com a imagem de mulheres nuas (ou seminuas). Engraçado é que há um horário limite para a transmissão de imagens de acordo com a faixa etária do público, mas as propagandas do carnaval estão aí, rodando desde manhã até a noite.
Alguns hão de me chamar puritana ou algo do gênero, o que não sou. Só acho que algumas coisas são totalmente desnecessárias. Banalizar o sexo, a exposição do corpo, os relacionamentos humanos, na minha opinião, é (ou deveria ser) algo totalmente fora de propósito. Existem muitas formas de entretenimento televisivo que poderiam ser exploradas pela tv brasileira, sem precisar de apelação. Cadê as séries com histórias intrigantes? Por que uma novela não pode ter uma história que faça o telespectador pensar? Onde foram parar as grandes reportagens investigativas ou mesmo as contemplativas, que não sejam meras repetições de reportagens anteriores? Por que os programas bons passam tão tarde da noite?



Nos outros canais, a coisa não anda muito diferente. Há novelas, com atores que muitas vezes já passaram pela Globo, que são mal dirigidos. As histórias não se diferem das globais. Para salvar, há alguns seriados americanos, que são reprisados ad aeternum, mas os espectadores continuam a assistir, na falta de ter algo melhor na televisão em outros canais. Se eu for falar da programação do fim de semana, então, a coisa piora. É um festival de bundas e shortinhos, com funks, forrós e músicas de duplo sentido para lá e para cá. Na Globo, há a passagem dos artistas das novelas pelo palco do Faustão, que não os deixa falar, mas os fica enaltecendo, num puxassaquismo sem tamanho. O que salva a programação de domingo em alguns canais são os vídeos que bombaram na internet, mas a maioria deles já é conhecida.



Infelizmente, o que está acontecendo (sem que sequer as pessoas se deem conta) é um emburrecimento massivo através da televisão. Histórias prontas, entretenimento vazio, apelação sexual e comercial, doutrinação ideológica, perda ou distorção de valores (não vou falar do noticiário manipulado, vou deixar para uma outra postagem mais adiante, mas assistam Muito além do Cidadão Kane). Assim, não se precisa pensar. Até porque para aceitar tudo aquilo que a mídia quer impôr à sociedade, pensar é desnecessário.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Nossa cultura brasileira

A qual, segundo alguns, não deve ser criticada.



Vergonha alheia? Prefiro nem comentar...

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Carnaval na Bahia: vergonha alheia?







O YouTube tem um canal chamado YouTube Carnaval, no qual estão os vídeos com as músicas que possivelmente vão bombar este ano no carnaval brasileiro. De modo geral, apesar do som altamente dançante, as músicas apresentam letra de duplo sentido e coreografia sexualizada. Muitas pessoas acessam o conteúdo deste canal e criticam as letras e as danças, usando o termo “vergonha alheia”, muito popularizado na internet. Em contrapartida, há os defensores da “cultura baiana”, que dizem que é necessário respeitar este tipo de música e dança. Os argumentos para tal defesa são os mais variados. Vamos a eles.
Não sei de onde as pessoas tiraram a ideia de que tudo o que faz parte da cultura é algo positivo. Isso é uma das maiores mentiras plantadas na mente humana. No Afeganistão, mulheres são torturadas e mutiladas diariamente pelos mais diversos motivos (muitas vezes por razões bobas) e isso faz parte da cultura daquele lugar. Esta prática é cultural. Mas, no meu ponto de vista, não é boa. Algumas tribos indígenas enterram crianças vivas, outras colocam-lhes luvas cheias de formigas carnívoras, por motivos culturais. Mas, por ser a cultura deles, deixa de ser cruel? Cultura nem sempre é algo bom. As pessoas precisam entender isso.
Um dos comentários dizia não se pode criticar o axé na Bahia, da mesma forma que não se pode ir ao Rio de Janeiro para criticar o funk carioca. Eu pergunto: por que não? Porventura preciso eu aceitar tudo sem poder me manifestar, deixar a minha opinião? Ao ler este comentário, lembrei-me da professora primária que foi demitida após ter sido filmada em um “baile” de axé, no qual aparecia “dançando” a música Todo enfiado, da banda O troco. O problema não foi ela ter dançado a tal música. O problema foi ela ter deixado o vocalista da banda levantar sua saia, puxar sua calcinha para que ficasse (como diz a letra de sua música) “com o fio todo enfiado”. O que a professora não contava é que seria filmada por inúmeros celulares e colocada na internet. Infelizmente, vivemos na geração Big Brother (não a do reality show, a do livro 1984, de George Orwell) e somos constantemente monitorados. Também acredito que o que um professor faz no seu período de folga é problema seu, e não da escola, mas acredito que mesmo que ela exercesse outra profissão, a empresa para a qual ela trabalhasse não ia querer ver sua imagem vinculada a alguém que está semi-nua na internet. O mesmo acontece com os jogadores de futebol que são flagrados em escândalos: eles perdem o contrato porque o clube não quer sua imagem associada ao escândalo. Em algumas reportagens na TV, a professora diz que o aspecto sexual dos bailes faz parte da cultura da Bahia, que é comum as mulheres se exporem daquela mesma forma que ela se expôs. E eu pergunto: só porque é cultural, precisa ser incentivado? É produtivo? É útil à sociedade a perpetuação desse tipo de cultura? O que cada um faz quando está entre quatro paredes é problema de cada um. O que cada um faz em público é problema da sociedade.
Uma pessoa no YouTube afirmou que o objetivo maior do axé é fazer as pessoas dançarem e a letra não deveria ser considerada, porque ela não é o objetivo. Ok, então por que não fazer letras menos sexualizadas, principalmente porque, tendo tais músicas um ritmo dançante, caem no gosto das crianças? Não seria possível conciliar uma música boa para dançar com uma letra que não seja de gosto duvidoso? Não precisa fazer uma letra literária, elaborada, que exija muito esforço intelectual (até porque, considerando as letras que conheço, acho que seria pedir demais), basta tirar o caráter sexual. Nossas crianças agradecem.
As pessoas reclamam que o Brasil não vai para a frente, que estamos estagnados, que nossas escolas não dão conta de fazer com que nossos alunos se interessem por literatura, cinema e teatro de boa qualidade, mas o que eles aprendem com a televisão e com a internet? Pense bem: é possível alguém gostar de algo que o faça pensar quando é constantemente bombardeado com conteúdo de baixa qualidade e péssimo valor estético-artístico? Temos uma grande parcela da população que discute novela e BBB/A Fazenda e queremos uma nação que consuma arte, que tenha noções estéticas, que use de bom senso, que saiba educar seus filhos para um futuro de menos preconceito? E olhe que não falei do funk carioca, com suas preparadas e popozudas, nem do carnaval de escolas de samba, com suas muitas mulheres nuas com tapa-sexos de 3cm de comprimento. Desculpe meu desabafo, minha indignação, mas enquanto não fizermos nada para mudar esta dita “cultura brasileira”, não podemos reclamar da situação.








Se você quiser ver o vídeo da professora sem o blur, clique aqui.

Incompetência nos fast-foods







Não sei que maldição é esta que afeta as redes de fast-food. Principalmente as que se localizam na minha cidade, Joinville. Não sei se o povo joinvillense é acomodado demais para reclamar, mas as coisas por aqui não andam muito bem, não.
Atendentes do Subway, por exemplo, precisam atender a um requisito para serem contratados: precisam ter problemas de paralaxe. Para quem não sabe o que é, eles tem problemas com a lateralidade, problema este que poderia ter sido resolvido com as aulas de Educação Física na infância. Como essas aulas hoje em dia têm caráter exclusivamente recreativo, temos pessoas que não conseguem colocar a mesma quantidade de recheio dos dois lados do pão. Funciona assim: a atendente começa a colocar os ingredientes na baguete de 30cm da direita para a esquerda. O problema é que o lado esquerdo geralmente (quase sempre) fica vazio. Não sei o que há de tão difícil em distribuir proporcionalmente os ingredientes pelo pão todo. Pense num casal que divide o pão (que é o nosso caso): um dos dois vai comer um lanche super-mega recheado e o outro vai comer um pão quase vazio. É sério.
Com o McDonald’s, a coisa não é muito diferente. Nunca peçam os lanches da promoção: algo de errado vai estar presente. Atualmente, está na promoção, por R$3,00, o Chicken McJunior. Particularmente, o lanche é bom, mas da última vez que o pedi, o lanche estava tão seco que o frango à milanesa parecia que tinha sido empanado com areia. O Cheddar McMelt está por R$5,00, mas a quantidade de cheddar presente no lanche foi reduzida a 1/3 do normal. De que adianta fazer promoção para as pessoas conhecerem o lanche e tirar-lhe a qualidade que lhe é devida? Sem falar que, aqui em minha cidade, no McDonald’s que não está no shopping (que é aonde costumo ir), a máquina de milk-shake já veio estragada de fábrica. Comparado com milk-shakes de outros Mac’s, o de lá é apenas milk, porque o shake fica de fora, de tão aguado que é.
Infelizmente, penso que a falta de treinamento dos lancheiros é culpa dos restaurantes franqueados. A menina do Subway acabou de sair do treinamento, mas não sabia quais os ingredientes do sabor que eu escolhi – aliás, ela nem sabia que o sabor que eu escolhi existia e precisava consultar uma tabela de ingredientes a cada segundo. Mas que treinamento ela recebeu? Por que já saiu do treinamento se ainda não aprendeu? Por que o McDonald’s não recebe o mesmo treinamento em todas as lojas? Ou se recebem, por que nem todas o seguem? Um McSundae ou um McFlurry em Floripa tem muito mais calda e acompanhamentos que em Joinville. Por quê? Quem está errando? Cadê a cobrança? Cadê as auditorias?
Mas nem só de McDonald’s e Subway vive a incompetência. O Bob’s, conhecido concorrente do Mac, também tem seus lanches em promoção. O Double Cheddar está por R$4,00 e em tese deveria vir com a cebola frita em molho shoyu. O último que comprei veio com cebola crua e o sabor ácido e o hálito “fresco” me fizeram muito bem à lembrança: lembrei do lanche o restante do dia. Acho que, se não é para continuar fazendo com a mesma qualidade, não coloca em promoção. Mantém-se o preço original, mas não arruina o nome do estabelecimento.
Outro problema dos fast-foods (e de qualquer prestador de serviço em geral) é que, a partir do momento que os atendentes se acostumam a sua presença, passam a prestar um mau serviço. Eles percebem que você vai sempre lá e pensam “esse aí já tá garantido, vou me dedicar mais ao outro, que quase nunca vem aqui”. Um grave erro. Gravíssimo. Se eu vou com frequência a um mesmo lugar, quero a mesma eficiência no atendimento e nos produtos adquiridos. Se não fosse assim, eu não teria voltado.
Continuaremos de olho. E sempre que precisar, vamos reclamar. E ainda: se não formos ouvidos, trocaremos as grandes redes pelas lanchonetes de bairro – para sempre!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Poesia é tudo





O que leva um ser a se expor a este ridículo? E por vontade própria?

Vergonha alheia.